Uma Visão Sobre Ludicidade!

Uma Visão Sobre Ludicidade!

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A ludicidade pode ser considerada como um fenômeno da natureza humana que está presente desde os primórdios em sua história, em sua cultura. Cada ser humano experimenta esse fenômeno de uma maneira única, embora ele ainda não se dê conta disso e as experiências não são apenas as do jogo, presente nas fases da vida, mas sim qualquer experiência que se apresente em sua história. A característica central da ludicidade é o estado de plenitude, de integralidade, de entrega que a vivência da experiência proporciona a quem a vive.

O que ainda não foi dito aqui é que, guardadas as devidas comemorações, por encontrar uma abordagem que dê conta do ponto de vista do sujeito, observada sob a ótica citada acima, a ludicidade pode estar em vias de extinção na vida humana da atualidade. Isso porque hoje em dia as pessoas não conseguem se entregar de maneira plena a uma experiência. Elas experimentam e vivenciam diversas experiências em paralelo com a ilusão de otimizar o tempo. Assim, acabam por não viver ou se entregar e integrar a nenhuma delas de maneira realmente plena e integral (vide o documentário Tarja Branca).

O mundo moderno muda de maneira rápida. A aceleração com que a tecnologia avança e a velocidade com que as informações circulam geram progresso e ao mesmo tempo instabilidade na vida do ser humano. Com base nessa perspectiva, modela-se o conceito da “modernidade líquida”. É como esse momento da história, o qual está sendo chamado:

Os tempos são “líquidos” porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser “sólido”. Disso resultaria, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranóia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas. É cada um por si. Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem. A temperatura elevada — ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis — não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior expectativa de vida. (BAUMAN, 2010, disponível em: http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/paginar/102755_VIVEMOS+TEMPOS+LIQUIDOS+NADA+E+PARA+DURAR+/3. Acesso: 10/10/2014).

O homem conhece esta realidade, está inserido nela. O verdadeiro problema não é tomar consciência disso. Mas, encontrar algo que possa provocar reflexão e desencadear a mudança. Acredito que se olharmos para nós mesmos, se o homem olhar para si, para o seu eu, para as suas experiências e para o percurso da sua história através da lente da ludicidade, das construções realizadas a partir das experiências e vivências será capaz de transformar, de revolucionar criativamente o mundo em que vive, pois, segundo Kessel (2014, p.1), a memória e a imaginação têm a mesma origem: lembrar e inventar têm ligações profundas.

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